[Chaves] Apresentação

2168798875487Silvio Santos não fazia a menor ideia de que a exibição de um moleque de rua mexicano caçando lagartixas em um cortiço caindo aos pedaços em agosto de 1984, no programa do palhaço Bozo, mudaria a televisão brasileira. Diz a lenda que, no meio de um pacote de novelas mexicanas compradas da Televisa pelo SBT, apareceram fitas de El Chavo Del Ocho, produção humorística de Roberto Bolaños (1929-2014) que, na época, já havia encerrado sua produção. Sob insistência do diretor do núcleo de dublagens da emissora, José Salathiel Lage, o material foi enviado para o dublador Marcelo Gastaldi (1944-1995) e, tudo preparado, foi colocado na televisão.

Mais de 30 anos depois, Chaves, como foi adaptado o título por Gastaldi, que também deu voz ao personagem-título da série vivido por Bolaños, se tornou, bem, diversas coisas. Já foi sucesso infantil e se tornou sucesso cult. Já foi sucesso de audiência a ponto de apavorar Ana Maria Braga e William Bonner. Enfim, sucesso.

Para os coitados que não sabem do que se trata, Chaves (Roberto Bolaños) é um moleque de rua, quase um mendigo, que vive no cortiço do Sr. Barriga (Edgar Vivar). Lá, convive com o mimado garoto Quico (Carlos Villagrán) e sua pomposa e mal-humorada mãe, Dona Florinda (Florinda Meza), com a esperta menina Chiquinha (Maria Antonieta de las Nieves) e seu pai, o vagabundo trambiqueiro Seu Madruga (Ramón Valdés, 1923-1988), com a assanhada velhota Dona Clotilde, apelidada de Bruxa do 71 (Angelines Fernandez, 1922-1994), e com algumas outras figuras carimbadas do México dos anos 70.

Em Chaves, todos são incrivelmente burros. Isto, sem dúvida, é o que move a trama. Todo episódio gira em torno de uma série de mal entendidos, diz-que-me-diz, insultos e, claro, do famoso bullying. Sr. Barriga é xingado de “gordo” o tempo todo, tal como o Professor Girafales (Ruben Aguirre) é zombado por sua altura, Clotilde por sua feiura e Madruga por sua magreza.

A pobreza, no entanto, não. Ninguém zomba do menino Chaves por sua quase subsistência. Isso porque todos convivem em um ambiente pobre, uma vila caindo aos pedaços onde um aparelho de televisão é luxo. Onde nenhum morador possui telefone. A pobreza é a normalidade naquele universo atemporal. Seu Madruga passando a perna no senhorio para não pagar o aluguel e Nhonho, filho do Sr. Barriga também interpretado por Edgar Vivar, sendo ininterruptamente enganado pelos moleques da vila, centralizam a malandragem e a subvida na trama. Quando chegou ao Brasil em 1984, Chaves já não existia como programa solo no México. Havia se tornado um dos quadros do Programa Chespirito (Clube do Chaves, em sua versão tupiniquim) e já havia estreado há mais de uma década. Nem por isso se tornou menos atual no Brasil dos anos 80. Talvez justamente por isso.

Até hoje, quem assiste Chaves pode identificar nos episódios cenas cotidianas e comuns. O favelado. A fome. O calote. O carinho. A violência. O riso. A inocência.

A história da produção de Chaves é confusa. Vira e mexe, episódios novos são descobertos. Para entender, recomendo o Portal do Fórum Chaves, talvez o mais completo guia da Internet. A lista que seguirei também será a do Fórum Chaves, maravilhosa compilação de datas, títulos e informações o mais cronologicamente correta até o momento.

O episódio que pretendia narrar nesta publicação seria “Boas festas/Balões”, de fevereiro de 1973, dois esquetes marcados na lista como o primeiro episódio da série. No entanto, tive que converter esta postagem em uma apresentação. Me empolguei, perdão. Foi sem querer querendo.

Advertisements

About Alvaro Olyntho

https://about.me/alvaroolyntho
This entry was posted in Chaves, Primeira temporada, Resenha, Televisa. Bookmark the permalink.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s