[Oz] Plano B (SE01EP07)

Plano B (“Plan B“)
SE01EP07 – Exibido pela primeira vez em 18 de agosto de 1997
Escrito por Tom Fontana e dirigido por Darnell Martin

mershah

Huseni Mershah (Roger Guenveur Smith) é a epítome das decisões e de suas consequências.

Decisões são inevitáveis. A história de cada pessoa é meramente um conjunto de decisões. A decisão de levantar pela manhã e ir ao seu trabalho ao invés de continuar dormindo, a decisão de parar de beber após uma latinha de cerveja ao invés de tomar um porre, a decisão de ser fiel ao seu parceiro ao invés de trai-lo com o primeiro que aparecer. Ou o contrário de todas as opções. Cada decisão, da mais banal até a mais importante, tece, ao fim, a teia da sua vida.

Se você houvesse aceitado aquela promoção ao invés de escolher permanecer em seu cargo, sua vida seria outra. O mesmo se você houvesse matado um pernilongo ao invés de deixá-lo te picar. De uma forma ou de outra, você sempre terá ao menos duas escolhas, um segundo caminho, um plano “B”. E, após cada decisão, deve-se aguentar as consequências, sejam elas uma vida pífia em um cargo seguro ou acamar-se pela dengue.

Oz possui em si muitos temas entranhados. Um deles, claro, é o da responsabilidade. Por O Pequeno Príncipe, Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944) cravou este tema. “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas“, diz a raposa ao princepezinho. Tobias Beecher (Lee Tergesen) e Vern Schillinger (J.K. Simmons) estão eternamente ligados. Um será responsável pela vida e pela morte do outro.

alguns episódios, Kareem Said (Eamonn Walker), diagnosticado com pressão alta, decidiu não tomar os remédios necessários para o controle de sua condição. Seguiu sua crença e, como consequência, teve um ataque cardíaco. Decidiu a forma como lideraria seus irmãos muçulmanos e, como consequência, teve que aceitar a rejeição do novato Huseni Mershah (Roger Guenveur Smith), que decidiu abandoná-lo em sua óbvia morte para poder assumir o controle do grupo.

Influenciado e impressionado pelo poder de Said contra a autoridade na forma do diretor Leo Glynn (Ernie Hudson), o canibal Donald Groves (Sean Whitesell) decide matá-lo e, como consequência de sua falha, é condenado à morte e executado. O guarda Eddie Hunt (Murphy Guyer) decide se voluntariar para fazer parte do esquadrão de fuzilamento que botará fim à vida de Groves. E, como consequência, deve para sempre carregar o fardo de não saber se realmente o matou. “Eu matei um homem que matou um homem. Eu matei um homem. Ou talvez não. Eles colocaram festim em um dos rifles, então eu nunca terei certeza se o matei ou não. Não saber talvez seja pior que saber“, diz para Diane Wittlesey (Edie Falco) enquanto se embebeda dez minutos após o fim de seu turno.

Tobias Beecher decidiu lutar por sua vida ao invés de curvar-se às torturas de Vern Schillinger por, subconscientemente, pensar que a punição era justa por seu crime. Decidiu atacá-lo e quase cegá-lo. E, como consequência, teve de aceitar a própria morte. As decisões que tomas fazem-te. O advogado calmo e passivo morreu. Os óculos estraçalhados pelo próprio Beecher na solitária. Agora que o velho Beecher foi morto, quem é o novo Beecher? Quando Tobias ataca Schillinger no ginásio, o nocauteando e defecando em seu rosto, grita que está livre. Mal sabe que as consequências ainda virão. Mal sabe que nunca estará livre de Schillinger. Mal sabe que nunca estará livre se suas próprias ações.

Augustus Hill (Harold Perrineau) decide, também, lutar por sua vida. Ele decide abandonar a má influência de seu ídolo viciado Jackson Vahue (Rick Fox) e se aliar ao violoncelista Eugene Dobbins (Zuill Bailey). E, como consequência, desperta a ira rejeitada do ex-basquetebolista, que destrói o amado instrumento de Dobbins.

Said decide que tomará os remédios para controlar sua pressão e expulsa Mershah de sua congregação. Rejeitado por seus antigos irmãos, escarrado pelos prisioneiros que tentou delatar e isolado em um bloco de celas fora de Emerald City, Mershah parece não ter mais opções, não tem o que decidir. E se mata, deita no chão embebido de sangue com sua garganta cortada. Pois é. Decisão e consequência. Sempre há uma escolha.

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