[Oz] Viva a Saúde (SE01EP06)

Viva a Saúde (“To Your Health“)
SE01EP06 – Exibido pela primeira vez em 11 de agosto de 1997
Escrito por Tom Fontana e dirigido por Alan Taylor

Tobias Beecher (Lee Tergesen) se liberta de Vern Schillinger (J.K. Simmons).

Tobias Beecher (Lee Tergesen) se liberta de Vern Schillinger (J.K. Simmons).

Para que serve uma prisão? O sujeito comete um crime e é julgado. Ele é sentenciado a passar determinado tempo longe da sociedade. Ao mesmo tempo em que é punido, é mantido distante do resto das pessoas para protegê-las de possíveis reincidências e recebe apoio psicológico, didático e organizacional para que, ao ser libertado, possa se reintegrar à sociedade. É uma tríade que, para funcionar idealmente, precisar estar muito bem balanceada. Mas “idealmente” nunca funciona na vida real. Fora da teoria, esta balança tripla sempre pesa para um lado apenas. O da punição, claro.

Em Viva a Saúde, Tobias Beecher (Lee Tergesen) tem uma epifania. Após ser forçado pela irmã Peter Marie (Rita Moreno) a encontrar a mãe da jovem por ele atropelada (Kathryn Meisle), Beecher entende que sempre se odiou. Se odiava tanto que bebia. E, para se punir pela bebedeira, bebia mais. Se odiava por ter tirado a vida de Kathy Rockwell em um atropelamento, por ter destruído a família da garota e também a sua própria. Se odiava tanto que permitiu que Vern Schillinger (J.K. Simmons) tomasse controle de sua vida, o estuprasse e o dominasse psicologicamente. Se odiava tanto que usava heroína. Beecher é autodestrutivo, autopunitivo. Mas ao finalmente perceber isso, resolve tomar o controle de sua vida. E o primeiro passo é estilhaçar o vidro da cela de Schillinger com uma cadeira, cortando o olho do neonazista. Muitas vezes é preciso uma epifania, um momento pleno de autoentendimento para que sua verdadeira essência seja libertada e emerja. Amarrado na solitária, Beecher xinga Tim McManus (Terry Kinney) e irmã Pete. Quem é aquele Tobias? É o real? É um real?

O autoconhecimento vem em duas mãos. Corpo e mente. Diz o ditado, “mente são, corpo são”. Esteja a mente ou o corpo doente, o outro também é comprometido. Ricardo Alvarez (Tomas Millian) foi uma lenda na família Alvarez, sobre quem eram contadas histórias aos mais jovens. Em Oz, matou o prisioneiro que arrancara a língua de seu filho e foi condenado a passar o resto de seus dias na solitária. Homem duro, de honra e ações bem delimitadas. Foi encontrado nu e aos prantos, chamando sua mãe, tremendo e pensando estar em Havana. O Alzheimer destruiu sua mente. O lendário Ricardo Alvarez, agora, se divertia ao beber a água de seu banho de esponja.

Com a doença de Alvarez, a irmã Peter Marie e o padre Ray Mukada (B.D. Wong) foram ao diretor Leo Glynn (Ernie Hudson) pedir a libertação do preso. Ele não sabe que está numa prisão. Ele não sabe que está sendo punido. O Estado não tem dinheiro para tratá-lo com dignidade e competência. Ele não é uma ameaça à sociedade. A tríade não o afeta. Mais cedo, o comissário, seguindo ordens do governador James Devlin (Zeljko Ivanek), negara outro pedido de Mukada e Peter Marie mediado por Glynn: uma unidade de Oz apenas para prisioneiros idosos. “Se ele não sabe que está preso, ele já está livre, não está?”, responde o diretor, rindo da demanda dos religiosos.

O estado de Alvarez não é exclusivo. Cada um de nós está preso em sua vida sem saber. Seja restringindo-se com autopunições como Beecher, amarrando-se em tramas de sobrevivência como Ryan O’Reily (Dean Winters) ou tendo seu destino geneticamente traçado como Miguel Alvarez (Kirk Acevedo), que não acredita ser possível que ele tenha um futuro diferente de seu pai e de seu avô.

Durante seu monólogo, Augustus Hill (Harold Perrineau) reclama da frase “pelo menos você tem saúde”. A saúde é um milagre. Para que um corpo seja saudável, cada molécula do complexo maquinário humano tem que estar funcionando sem problema algum. O que já é dificílimo sem as drogas que cheiramos, a cerveja que bebemos, o x-bacon que engolimos e o cigarro que fumamos. “Pelo menos você tem saúde” é um insulto à dificuldade de se ter saúde. O universo todo conspira contra seu corpo em todo momento. Por isso, cuide bem dele. Você não sabe, mas podem estar colocando vidro moída na sua comida. Ou seu herói de infância pode aparecer para te incentivar a voltar ao vício. Ou Alá pode estar te enviando um ataque cardíaco.

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