[Oz] Uma Vida Correta (SE01EP05)

Uma Vida Correta (“Straight Life“)
SE01EP05 – Exibido pela primeira vez em 4 de agosto de 1997
Escrito por Tom Fontana e dirigido por Leslie Libman e Larry Williams

Whitney Munson (Richard Hamilton) é o passado.

O passado de Whitney Munson (Richard Hamilton) está nele todos os dias por 52 anos.

O passado, meus amigos, é foda.

E é foda porque é imutável. Tudo na vida é talhado em pedra, tudo fica pra sempre. Não importa o que você faça, o passado está sempre ali. Um fantasma do que você já fez, do que você já teve, do que você já foi. Ou pior, do que você ainda é ou nunca mais será. O passado, meus amigos, é foda porque o presente se move e o futuro é moldável. O passado fica ali, constante, congelado. Não dá pra fugir do passado, meus amigos: todos somos aterrorizados pelo que já foi. Para sempre.

Tobias Beecher (Lee Tergesen) foi um competente advogado. Foi pai de família. Foi um bom filho. Mas, bêbado, atropelou uma jovem. Na cadeia, só lhes restam as lembranças. No entanto, confrontar um passado perfeito com um presente sofrível é perigoso. Escravo sexual do neonazista Vern Schillinger (J.K. Simmons), Beecher se vicia em heroína para fugir do passado e do presente. Para fugir, simplesmente.

Você pode viver tranquilo sem se lembrar por um instante de seu passado. Mas em algum momento, meu amigo, ele volta. Reaparece, surge do nada. Ou você pode viver uma vida atormentada pelo passado, lembrando-se a cada segundo, a cada respiração, daquele momento. O passado é um fantasma constante.

O passado não-tão-distante da guarda Diane Wittlesey (Edie Falco) ressurge na forma do preso Scott Ross (Stephen Gevedon), motoqueiro amigo do ex-marido de Diane, que a coloca em um esquema de tráfico de cigarros. Ela aceita. Precisa de dinheiro para sustentar a família, já que os turnos duplos passaram a ser proibidos para os guardas.

Viciado em ópio durante a Guerra da Coreia, o soldado Whitney Munson (Richard Hamilton) estrangulou uma prostituta, pensando estar sendo carinhoso. 52 anos depois, preso em Oz, é lembrado diariamente de seu vício e de seu crime. De seu passado. Conta cada minuto que passou longe das drogas nas sessões de aconselhamento com a irmã Peter Marie (Rita Moreno). É assombrado por seu passado. Nem que mais 52 anos passem, o velho continuará com o fantasma do ópio, da prostituta assassinada, de Oz nos seus ombros. Quando Beecher explode durante a sessão de aconselhamento da freira com Munson contando sua história, é quando ele finalmente toma percepção de si mesmo e de onde está. Ele matou a garota Rockwell, foi preso, perdeu tudo e se viciou em heroína. Nada disso jamais será diferente. Os fantasmas estarão para sempre com ele, como estão com Munson. Como estão com Kareem Said (Eamonn Walker) sendo lembrado da morte de Jefferson Keane (Leon Robinson). Para sempre com ele as lembranças de sua própria mortalidade, de seus próprios medos.

O passado faz parte da realidade. Na linha do tempo, quase tudo pode ser irreal. Quando se fala do presente e do futuro, a imaginação voa. Não há limites para o que é ou pode ser. O que foi, no entanto, não. É fixo e irreversível. Não adianta Miguel Alvarez (Kirk Acevedo), em uma viagem de LSD, cuidar de um bebê imaginário. Ele está morto. E nada pode mudar isso.

O passado, meus amigos, é história em pedra. E isso é foda.

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