[Oz] Pena Capital (SE01EP04)

Pena Capital (“Capital P“)
SE01EP04 – Exibido pela primeira vez em 28 de julho de 1997
Escrito por Tom Fontana e dirigido por Darnell Martin

Jefferson Keane (Leon Robinson) chega ao seu fim.

Matar uma pessoa é crime. Um assassino é condenado e, como pena, será morto pelo Estado. O Estado executa o condenado da mesma maneira pela qual o criminoso foi repreendido. “Hoje em dia, os assassinatos são aleatórios e sem sentido. Talvez a punição também deva ser“, diz o governador James Devlin (Zeljko Ivanek) ao ser indagado em uma coletiva de imprensa sobre a eficácia da pena da morte na redução dos crimes. Jefferson Keane (Leon Robinson) será o primeiro executado em 34 anos porque quebrou o pescoço de outro preso, porque merece, continuou Devlin. “Jefferson Keane será o primeiro porque é negro e jovem. O público não vai se sentir seguro se executarmos um branco de 70 anos“, rebate a irmã Peter Marie (Rita Moreno) na reunião da equipe de Oz, antes de se demitir ao decidir protestar contra a pena de morte.

Em 1997, quando este episódio foi exibido nos Estados Unidos, o país executou 73 prisioneiros. Destes, 26 eram negros, 35% do total, segundo o Death Penalty Information Center (http://www.deathpenaltyinfo.org/executions-us-1997). Semanalmente, uma média de um prisioneiro era executado, a grande maioria por injeção letal. Em 2014, 34 presos foram executados, 52% negros.

Tanto atrás das grades, com uma sentença de 120 anos sem possibilidade de liberdade condicional, quanto passando um dia no parque cheirando flores, todos estamos mortos. Quando a notícia sobre a condenação de Keane se espalha por Emerald City, Nino Schibetta (Tony Musante) comenta com Joey D’Angelo (Goodfella Mike G) que a única diferença entre eles e Keane é que, quando se está sentado no corredor da morte, se sabe a data exata em que a morte irá chegar. Em A Rotina, Dino Ortolani (Jon Seda) era a representação da morte em vida, o próprio gato do Schrödinger. Em Pena Capital, Oz inteira afelina-se. O mundo inteiro cria rabo e cospe bolas de pelo.

A pena de morte – tão eficaz que, em Oz, o último executado 34 anos antes ainda estava vivo – não é uma determinação do Estado. Todos estamos condenado à morte desde o instante em que somos concebidos. Podemos morrer logo ao sair de nossas mães, com o cordão umbilical nos enforcando ou com o médico nos derrubando no chão. Podemos morrer atropelados, baleados, enfartados, queimados, doentes em uma cama de hospital aos 90 anos ou eletrocutados ao enfiarmos a língua na tomada aos dois anos. Você, lendo este texto, pode engasgar com seu sanduíche e morrer em alguns instantes. Nascemos condenados e morremos para cumprir nosso destino.

O bebê de Miguel Alvarez (Kirk Acevedo) morre. Não adiantaram as rezas do padre Ray Mukada (B.D. Wong). Não adiantaram os sacrifícios do pai. Não adiantaram as máquinas que o mantinham vivo, tampouco o choro da mãe. Não precisou do Estado para decretar sua morte. Condenado à morte desde que nasceu, mas sem crime.

Convertido como “Tizi Ouzou”, Keane quer morrer para encerrar o ciclo de violência que iniciou quando ordenou o assassinato de Dino Ortolani. A guerra entre os negros de Keane e os italianos de Schibetta acabaria com sua morte. Ele nega a ajuda de Tobias Beecher (Lee Tergesen) para um apelo. Seu destino seria aquele e ele, feliz, o cumpriria. Sua própria morte estava aceita. O luto, dizem, é composto por cinco fases. A última, claro, é a aceitação. Quando chega-se à aceitação da própria morte, vive-se de outra maneira. Boa. Ruim. Imprevisível.

Doe seu rim. Perdoe seu irmão. A vida acaba na queda de um ioiô.

A morte é certa. A vida, não.

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