[Oz] Deus Está Se Afastando (SE01EP03)

Deus Está Se Afastando (“God’s Chillin’“) SE01EP03 – Exibido pela primeira vez em 21 de julho de 1997 Escrito por Tom Fontana e dirigido por Jean de Segonzac

Deus troca almas, mas segue impiedoso. Jefferson Keane (Leon Robinson) se converte ao islamismo.

Deus troca almas, mas segue impiedoso.

Deus é onipresente, ou seja, está em todos os lugares ao mesmo tempo. E em uma prisão de segurança máxima? Deus está lá também, o tempo todo?

Tobias Beecher (Lee Tergesen) rezou. Desde sua condenação. Rezou, disse, mais do que na véspera de seu exame final na faculdade. Fizeram-no de exemplo na condenação e, em Oz, tornou-se escravo sexual de um líder neonazista. Agora, sua esposa quer o divórcio. Quando questiona a freira-psicóloga Peter Marie (Rita Moreno), de quem se tornou assistente, sobre a onipresença divina e a presença de Deus em Oz, ganhando como resposta o fato de que Deus pode não estar em Oz, mas dentro de si, ele conclui que Deus “é um tumor“.

Beecher é um criminoso. Bêbado, atropelou e matou uma adolescente. Ele merece a resposta divina? Ou Peter Marie já teria resolvido o mistério? Ele respondeu às orações de Beecher, mas não com o que o preso gostaria. Deus o pune. A humilhação, a escravização sexual, o fim de sua família, tudo isso seria a maneira de Deus dizer “você errou e deve ser punido”.

Durante seu monólogo, Augustus Hill (Harold Perrineau) diz que Deus sabe que é perfeito e que os homens, sua criação, não são. E mesmo assim espera que sejam. Miguel Alvarez (Kirk Acevedo) se torna pai, mas o bebê tem problemas no fígado devido às drogas que sua namorada usou durante a gravidez. Pode morrer. Alvarez supõe que a doença de seu filho é a forma que Deus encontrou para lhe mostrar seu desgosto com a arrogância de Miguel. Rezar com o padre Ray Mukada (B.D. Wong) não era suficiente. Este Deus não é um jogador justo, quer sangue. E lá vai Alvarez cravar um estilete na palma de sua mão e, depois, fazer um corte em sua bochecha.

É isso o que esta divindade quer para suas criações? Puni-los com a morte de um rebento, com o fim de uma família por sua imperfeição programada?

Ou ele pode querer uma troca, bom jogador que é. Uma alma limpa por uma suja. Aos 16 anos, Kenny Wangler (J.D. Williams) mata um homem por uma jaqueta. É julgado como adulto e mandado para Emerald City. Como bem lembra Kareem Said (Eamonn Walker) ao encontrá-lo drogado com Jefferson Keane (Leon Robinson), Simon Adebisi (Adewale Akinnuoye-Agbaje) e Paul Markstrom (O.L. Duke), Wangler é um menino com a vida inteira pela frente: pode sair de Oz aos 22. Negado na gangue por Keane, Wangler gravita para o clã muçulmano de Said. Inicialmente, as pregações do líder islâmico atingem o jovem, assim como Keane, que parece cansado de tudo que a vida no crime lhe deu. Mas o Deus de Oz precisa de uma oferenda maior, tal qual a oração de Alvarez não foi suficiente. O Deus de Oz, para salvar Keane, com todos seus pecados de carcaça velha, precisa de carne nova, da pureza que Keane não possui mais. Aceita salvar Keane, mas, para isso, atira Wangler ao submundo de Oz. Uma alma por outra.

Salva Keane, temporariamente. Basta Ryan O’Reily (Dean Winters) perceber que a nova religião de Keane pode fazer com que ele o acuse pela morte de Dino Ortolani (Jon Seda), para que o impiedoso Deus haja novamente. O’Reily consegue com Nino Schibetta (Tony Musante) autorização para acabar com Keane. Com a ajuda do guarda Mike Healy (Steve Ryan), O’Reily faz com que, em legítima defesa, Keane, agora Tizi Ouzou, mate um prisioneiro latino. Com a pena de morte recém-restituída pelo governador James Devlin (Zeljko Ivanek), Keane será o primeiro prisioneiro executado em décadas.

Esse Deus maldoso venceu. Tudo Dele veio. E tudo para Ele voltará. Tim McManus (Terry Kinney) abre a portinhola da solitária esperando encontrar um Keane abatido, violento ou que for. Encontra-o rezando e vai embora batendo pés. Deus o derrotou também.

Devlin se compara a Zeus e diz ao diretor de Emerald City que deve ser obedecido ou seus “raios cairão“. Os raios de Deus caem o tempo todo, contra todos. Ele sempre vence.

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